Uma história ressurge, outra desaparece

NA MESMA RUA MAX COLIN UM IMÓVEL ANTIGO FOI DEMOLIDO. O OUTRO, ESTÁ SENDO RESTAURADO. O CONTRASTE RETOMA ÀS DÚVIDAS QUANTO AO QUE MERECE OU NÃO SER PRESERVADO

Enquanto certas edificações que compõem a história sob tijolos de Joinville estão recebendo a conservação que merecem, outras dão lugar a novas construções. Desde o início do mês, restauradores trabalham cuidadosamente nas estruturas da casa que fica na rua Max Colin, 776, no bairro América. O imóvel, erguido em 1916 pelo casal Pedro e Alvira Brietzig, está entre as 1,8 mil propriedades da cidade apontadas como Unidades de Interesse de Preservação (UIP).

A casa abandonada há dez anos recebeu apoio do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec) para a restauração. A arquiteta e urbanista Rosana Barreto Martins lembra que, até o fim da década de 80, a casa de arquitetura suíça se destacava pelo conservado gazebo (jardim externo). Em 2000, a construção começou a ruir. Em um artigo em “AN” de 17 de agosto de 2008, Rosana identificava a demolição calada. A residência hoje respira com a restauração.

Na mesma rua, esquina com a Dr. João Colin, o antigo Bar Stüpp teve outro destino. Derrubado recentemente, o imóvel chegou a constar na lista de UIPs. Em maio de 2008, o dono pediu a liberação da lista, recebendo a permissão para executar a livre intervenção na construção antiga. Na Fundação Cultural de Joinville não foram encontrados registros da relevância histórica da casa demolida.

Rosana explica que a falta de divulgação da lista das UIPs faz com que muitos proprietários não tenham conhecimento sobre a possível limitação de interferência em seus imóveis. Redigido a partir da década de 80, o documento que reúne número expressivo de casas e prédios protegidos pelo município começou a ser elaborado pelo arquiteto Dalmo Vieira Filho, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O que era para ser um roteiro da corrente de migração em Joinville se tornou, depois da saída de Dalmo, apenas uma listagem de imóveis antigos. “Por não ser de domínio público, as pessoas só sabem que estas construções não podem ser mexidas depois que dão entrada na Prefeitura para a realização de obras”, conta Rosana. Os donos dos imóveis que não têm motivos para a preservação precisam enviar relatório com as justificativas para a Comissão de Patrimônio Histórico, Artístico e Natural da Prefeitura.

Os locais na lista ficam na mesma situação dos tombados, mas não recebem nenhum benefício, como isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). “O documento é antigo e está desatualizado. Antes dos anos 80, existiam apenas 49 unidades de preservação”, afirma a urbanista. Apesar do impedimento de modificação dos imóveis, não há uma lei municipal que abranja as especificidades do documento. Pela lei de tombamento, quem derrubar uma construção em análise pela Comissão Municipal de Patrimônio sofre multa que pode chegar ao mesmo valor do imóvel.

O diretor executivo da Fundação Cultural, Charles Narloch, defende que a revisão da lista das UIPs está entre as prioridades do projeto que irá criar um novo mecanismo de preservação da memória de Joinville. Segundo Narloch, que coordenou os trabalhos da comissão que analisou o projeto, se for aprovado pela Câmara de Vereadores, o mecanismo alternativo da lei de tombamento irá prever o prazo de 18 meses para a execução da revisão. Além disso, tanto a lista de unidades de preservação quanto a dos imóveis já tombados estarão na internet.

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Imóvel na rua Max Colin, quase na esquina com a rua Blumenau, é uma UIP e passa por processo de restauração. À direita, antigo Bar Stüpp deixou de ser UIP e foi demolido.

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Uma história ressurge, outra desaparece.

Postado originalmente em: Uma história ressurge, outra desaparece – 24/03/2010 – Anexoideias – AN

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