Parque da Caieira

É lamentável o que vem ocorrendo no Parque da Caieira. A permanência dos sambaquianos, com indícios datados de aproximadamente 6 mil anos, e dos carijós, em torno de 1.000 a 500 anos atrás, merece maior relevância. Esta permanência se deu nas áreas banhadas pela baía da Babitonga e rios. Mário Sérgio Oliveira (2000) atesta que, durante o período pré-colonial, Joinville foi ocupada por 160 sítios arqueológicos. Assegura Sílvio Coelho dos Santos (2004) que os colonizadores europeus tiveram contato com os sambaquianos, tendo sido os carijós vítimas dos primeiros embates em todo o litoral, refugiando-se em locais inacessíveis ou convivendo com o branco na condição de escravos. Da herança desta etnia restou o patrimônio arqueológico de 42 sambaquis, duas ofi cinas líticas, três estruturas subterrâneas e dois sítios arqueológicos. Lastimavelmente, alguns sambaquis foram atingidos pela atual ocupação urbana, com 15 deles destruídos.

Joinville é destacada internacionalmente como a cidade dos sambaquis, tendo sido aplicado capital estrangeiro em pesquisas na região. A costa Leste de Joinville, antes ocupada pelos sambaquianos, foi, em parte, apossada nos séculos 17 e 18 por populações ribeirinhas tidas como caboclos, no início do século 19 pelos sesmeiros luso-brasileiros e afro-brasileiros e, em meados do mesmo século, pelos teuto e depois teuto-brasileiros. Desenvolviam atividades relacionadas a fazendas agropastoris, fabricação de cal e curtumes. Nas últimas décadas, estes locais foram destruídos pela especulação imobiliária, desinformação do cidadão comum e falta de identifi cação e proteção de tais sítios como herança cultural e paisagística.

O Parque da Caieira, criado em 2004, passou a ser preservado como patrimônio natural, tendo contado com a presença das etnias dos sambaquianos e dos lusobrasileiros, exploradores estes da cal, atestada pela presença de fornos na região antes intitulada de Ribeira.

Uma história retratada na beleza paisagística, arqueológica e arquitetônica do local deveria ser motivo para divulgação ao cidadão e de preservação contínua, necessitando de placas indicativas e mapas para acessar o local, além da manutenção da infraestrutura da sala de apoio e informação ao usuário, banheiros e outros. Caminhos facilitados aos achados arqueológicos, assim como a manutenção dos fornos de cal e do mirante, a possibilitar mais ainda a percepção do local.

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Foto: Arquivo Histórico

Foto: Arquivo Histórico

Publicado originalmente em: Parque da Caieira – 09/07/2014 – Opinião – p. 15 – AN

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